Cinema - Primeiros Aparelhos

 

Para captar e reproduzir a imagem do movimento, são construídos vários aparelhos baseados no fenômeno da persistência retiniana (fração de segundo em que a imagem permanece na retina), descoberto pelo inglês Peter Mark Roger, em 1826. A fotografia, desenvolvida simultaneamente por Louis-Jacques Daguerre e Joseph Nicéphore Niepce, e as pesquisas de captação e análise do movimento representam um avanço decisivo na direção do cinematógrafo.

Fenacistoscópio - O físico belga Joseph-Antoine Plateau é o primeiro a medir o tempo da persistência retiniana. Para que uma série de imagens fixas dêem a ilusão de movimento, é necessário que se sucedam à razão de dez por segundo. Em 1832, Plateau inventa um aparelho formado por um disco com várias figuras desenhadas em posições diferentes. Ao girar o disco, elas adquirem movimento. A idéia era apresentar uma rápida sucessão de desenhos de diferentes estágios de uma ação, criando a ilusão de que um único desenho se movimentava.

Fenacistoscópio

 

Praxinoscópio – Aparelho que projeta na tela imagens desenhadas sobre fitas transparentes, inventado pelo francês Émile Reynaud (1877). A princípio uma máquina primitiva, composta por uma caixa de biscoitos e um único espelho, o praxinoscópio é aperfeiçoado com um sistema complexo de espelhos que permite efeitos de relevo. A multiplicação das figuras desenhadas e a adaptação de uma lanterna de projeção possibilitam a realização de truques que dão a ilusão de movimento.

Fuzil fotográfico – Em 1878 o fisiologista francês Étienne-Jules Marey desenvolve o fuzil fotográfico: um tambor forrado por dentro com uma chapa fotográfica circular. Seus estudos se baseiam na experiência desenvolvida, em 1872, pelo inglês Edward Muybridge, que decompõe o movimento do galope de um cavalo. Muybridge instala 24 máquinas fotográficas em intervalos regulares ao longo de uma pista de corrida e liga a cada máquina fios que atravessam a pista. Com a passagem do cavalo, os fios são rompidos, desencadeando o disparo sucessivo dos obturadores, que produzem 24 poses consecutivas.

 

Cronofotografia – Pesquisas posteriores sobre o andar do homem ou o vôo dos pássaros levam Étienne-Jules Marey, em 1887, ao desenvolvimento da cronofotografia a fixação fotográfica de várias fases de um corpo em movimento, que é a própria base do cinema.

Cinetoscópio – O norte-americano Thomas Alva Edison inventa o filme perfurado. E, em 1890, roda uma série de pequenos filmes em seu estúdio, o Black Maria, primeiro da história do cinema. Esses filmes não são projetados em uma tela, mas no interior de uma máquina, o cinetoscópio – também inventado por Edison um ano depois. Mas as imagens só podem ser vistas por um espectador de cada vez

.

 

Cinematógrafo – A partir do aperfeiçoamento do cinetoscópio, os irmãos Auguste e Louis Lumière idealizam o cinematógrafo em 1895. O aparelho – uma espécie de ancestral da filmadora – é movido a manivela e utiliza negativos perfurados, substituindo a ação de várias máquinas fotográficas para registrar o movimento. O cinematógrafo torna possível, também, a projeção das imagens para o público. O nome do aparelho passou a identificar, em todas as línguas, a nova arte (ciné, cinema, kino etc.).

Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-194 8) nascem em Besançon, na França. Filhos de um fotógrafo e proprietário de indústria de filmes e papéis fotográficos, eram praticamente desconhecidos no campo das pesquisas fotográficas até 1890. Após freqüentarem a escola técnica, realizam uma série de estudos sobre os processos fotográficos, na fábrica do pai, até chegarem ao cinematógrafo. Louis Lumière é o primeiro cineasta realizador de documentários curtos. Seu irmão Auguste participa das primeiras descobertas, dedicando-se posteriormente à medicina.

fonte: http://www.webcine.com.br/historia.htm

Metodologia Doc Comparato

AUDIOVISUAL (Definição) adj. 1. que se destina a ou visa estimular os sentidos da audição e da visão simultaneamente (diz-se de qualquer comunicação, mensagem, recurso, material etc) 2. que utiliza som e imagem na transmissão de mensagens… (fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

 

O processo de construção de um audiovisual normalmente passa pela seguinte linha de construção:

 

TEMA/ IDÉIA/ STORYLINE/ SINOPSE OU ARGUMENTO/ ROTEIRO/ STORYBOARD/ PRODUÇÃO/ PÓS-PRODUÇÃO

 

Seguindo esta linha de construção, através de seis etapas propostas por Doc Comparato em seu livro “Da Criação ao Roteiro”, temos uma metodologia para a construção de um audiovisual.
________________________________________________

METODOLOGIA PARA A CONSTRUÇÃO DE UM AUDIOVISUAL

Escolha do tema:

AVENTURA (western, ação, mistério, musical)

CRIME (psicológico, ação, social)
COMÉDIA (romântica, musical, infanto-juvenil)
MELODRAMA (ação, social, aventura, guerra, psicológico)
DRAMA (romântico, biográfico, social, musical, comédia)
OUTROS (fantasia, terror, desenhos animados, mudo, educativo)

 

 

PRIMEIRA ETAPA: IDÉIA

Um roteiro começa sempre a partir de uma idéia, de um fato, de um acontecimento que provoca no escritor a necessidade de relatar. A partir desta idéia iniciamos as etapas para desenvolvimento do roteiro em si.

 

SEGUNDA ETAPA: CONFLITO

A idéia audiovisual e dramática deve ser definida através de um conflito essencial. A este primeiro conflito, que será a base do trabalho do roteirista, chamaremos conflito-matriz. Começa aqui o trabalho de escrever: fazemos um esboço e começamos a imaginar a história, tendo como ponto de partida uma frase com a qual iremos desenvolver a storyline.

“SEM CONFLITO, SEM AÇÃO, NÃO EXISTE DRAMA”

STORYLINE: É a condensação do nosso conflito básico cristalizado em palavras. É contar o resumo de uma história que ainda não existe, com no máximo cinco ou seis linhas. Ela deve conter os três pontos chaves da história, durante aos quais:

- Alguma coisa acontece,

- Alguma coisa deve ser feita,

- Alguma coisa se faz.

A storyline contém em sua estrutura:

a apresentação do conflito,

o desenvolvimento do conflito

e a solução do conflito.

 

EX:

Idéia: “Fui ao enterro de um amigo. Três dias depois ele passeava pelas ruas de Nova York”.

Stoyline: “Jack vai ao enterro de seu amigo em Viena. Não se resigna, investiga e acaba descobrindo que o amigo não morreu: está vivo e encenou seu próprio enterro por que era procurado pela polícia. Descoberto pela curiosidade de Jack, o amigo é abatido pela balas da polícia”

 

Em resumo: um conflito audiovisual pode conter todos os conflitos:

homem versus homem,

homem versus forças da natureza

e homem versus ele próprio.

 

TERCEIRA ETAPA: PERSONAGENS

Chegou o momento de pensar em quem vai viver este conflito básico, restando criar estes personagens. Em sua composição, são três os fatores que temos de considerar:

 

- Fator físico: idade, peso, altura, presença, cor do cabelo, cor da pele…
- Fator social: classe social, religião, família, origens, trabalho que realiza, nível cultural…
- Fator psicológico: ambições, anseios, frustrações, sexualidade, perturbações, sensibilidade, percepções.

 

Atividade: Criar um personagem qualquer e uma situação de conflito para o personagem do aluno possa vivenciá-la. Que também identifique estas características em personagens de livros, filmes ou super-herói.

O desenvolvimento dos personagens se dá através da elaboração do argumento ou sinopse. Nesta fase começaremos a desenhar os personagens localizando a história no tempo e no espaço: a história começa aqui, passa por ali e acaba assim.

 

QUARTA ETAPA: AÇÃO DRAMÁTICA

A ação dramática já bastante desenvolvida pela etapa anterior vem auxiliar o complemento dessa definindo como vamos contar este conflito básico. Ao o que, quem, onde e quando, juntamos então o como. Para trabalhar na ação dramática, somos obrigados a construir uma estrutura (seqüências), que é um dos fundamentos do roteiro.

As seqüências organizam-se segundo uma unidade de ação, composta por cenas, determinadas pelas alterações do espaço e a participação dos personagens.

 

 

Atividade: Identificar em quantos lugares diferentes acontece uma história. Identificar os vários ambientes (locações) de um filme ou até mesmo de uma novela.
Segue-se com a construção das Escaletas

 

QUINTA ETAPA: TEMPO DRAMÁTICO

Nesta etapa iremos determinar como será desenvolvida a ação, seu tempo e função para a história. Os personagens se desenvolvem e são escritos seus diálogos. Todos os outros coadjuvantes estão presentes e descritos nas cenas, além da descrição da locação e das ações. Indicação de trilha sonora e efeitos especiais ou de edição também serão descritos quando necessários. Teremos então, finalmente, o primeiro rascunho do roteiro.

 

ROTEIRO: É a forma escrita de qualquer projeto audiovisual. Segundo Syd Field “é uma história contada em imagens, diálogo e descrição, dentro do contexto de uma estrutura dramática”.

 

SEXTA ETAPA: UNIDADE DRAMÁTICA

Neste ponto, o roteiro deve estar pronto para ser filmado ou gravado. Mas antes, um STORYBOARD deve ser desenvolvido para facilitar esta etapa de produção.

 

STORYBOARD: É a representação em forma de quadrinhos de todos os planos que irão compor cada cena. Serve para definir os enquadramentos e para visualizar se a ação descrita será compreensível através das imagens pré-determinadas ou quantidade. Embaixo de cada quadro podemos incluir o trecho do roteiro (diálogo ou ação), movimento de câmera, ruídos, trilha sonora ou efeitos especiais.

Origem do Cinema

Indícios históricos e arqueológicos comprovam que é antiga a preocupação do homem com o registro do movimento. O desenho e a pintura foram as primeiras formas de representar os aspectos dinâmicos da vida humana e da natureza, produzindo narrativas através de figuras. O jogo de sombras do teatro de marionetes oriental é considerado um dos mais remotos precursores do cinema. Experiências posteriores como a câmara escura e a lanterna mágica constituem os fundamentos da ciência óptica, que torna possível a realidade cinematográfica.

Bisão período paleolítico - representado com mais de quatro patas.

Jogos de sombras – Surge na China, por volta de 5.000 a.C. É a projeção, sobre paredes ou telas de linho, de figuras humanas, animais ou objetos recortados e manipulados. O operador narra a ação, quase sempre envolvendo príncipes, guerreiros e dragões.

Sombras Chinesas

Câmara escura – Seu princípio é enunciado por Leonardo da Vinci, no século XV. O invento é desenvolvido pelo físico napolitano Giambattista Della Porta, no século XVI, que projeta uma caixa fechada, com um pequeno orifício coberto por uma lente. Através dele penetram e se cruzam os raios refletidos pelos objetos exteriores. A imagem, invertida, inscreve-se na face do fundo, no interior da caixa.

Câmara escura -

 

Lanterna mágica – Criada pelo alemão Athanasius Kirchner, na metade do século XVII, baseia-se no processo inverso da câmara escura. É composta por uma caixa cilíndrica iluminada a vela, que projeta as imagens desenhadas em uma lâmina de vidro.

 


retirado de HISTÓRIA DO CINEMA