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A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM

“A linguagem musical basta.” Antonio Carlos Jobim in Cancioneiro Jobim

O extraordinário universo da música de Antonio Carlos Jobim não cabe em palavras. Foi com essa idéia em mente e a sensibilidade aguçada que o diretor Nelson Pereira dos Santos, ao lado de Dora Jobim, se dispôs a encarar o desafio de desvendar em filme a trajetória musical do grande compositor brasileiro, autor de uma obra eterna, de alcance internacional. Em A música segundo Tom Jobim, os diretores escolheram o caminho sensorial da imagem e do som para exibir o trabalho do músico considerado, ao lado de Heitor Villa-Lobos, um dos maiores expoentes de todos os tempos da música brasileira. Não há uma palavra sequer no filme. E nem é preciso. Uma sucessão de imagens de grandes intérpretes brasileiros e internacionais em performances inesquecíveis, e do próprio Tom Jobim, em diferentes momentos, alinhava a trajetória musical do “maestro soberano”. Está tudo lá: a força e a beleza da sua música, as diferentes fases do artista, o alcance e a poesia das suas canções, sua personalidade musical, a importância da sua obra. Tudo conduzido de forma vigorosa e poética, sem necessidade de maiores explicações. Apenas o prazer e a emoção de ouvir Tom Jobim.

Nelson Pereira dos Santos

Nelson dirigiu, em 1985, um documentário sobre Tom Jobim para a televisão brasileira, com duração de quatro horas. Sempre teve grande admiração pelo compositor. Quando decidiu fazer A música segundo Tom Jobim percebeu que o acervo de fotos e filmes da família do compositor e os arquivos obtidos pela pesquisa de Antonio Venâncio eram tão ricos que o próprio material podia, por si só, contar a história de Tom. “Vi que em cada imagem havia uma outra história”, diz Nelson. “E mais outra. Era uma história dentro da outra, contando tudo através da música”. A espinha dorsal do filme foi construída com base na música e nas imagens em movimento e fotográficas. Dessa forma, a atenção se concentra em cada foto, em cada performance original e surpreendente. E o filme permite que o espectador se entregue inteiramente à música.

Tom Jobim e Elis Regina – 1974

Consagrado diretor de cinema, considerado um dos mais importantes cineastas do país, Nelson Pereira foi um dos precursores do Cinema Novo. Seu filme Vidas Secas é um dos filmes brasileiros mais premiados de todos os tempos. Aos 27 anos, em 1955, lançou seu primeiro longa-metragem Rio 40 Graus. Ao longo da sua carreira, fez mais de 20 filmes, entre eles Boca de Ouro, Amuleto de Ogum, Fome de Amor, Como Era Gostoso o Meu Francês, Jubiabá, Tenda dos Milagres, Memórias do Cárcere, premio da FIPRESCI no Festival de Cannes de 1984.

A música segundo Tom Jobim é basicamente um filme de montagem, no qual a edição, com os cortes e entradas de imagens, definem o ritmo, a intensidade e a emoção do que se quer mostrar. Por isso, a equipe trabalhou em conjunto em todas as etapas: pesquisa, seleção de arquivos, edição de imagens. Com grande experiência no universo dos DVDs musicais, Dora Jobim dividiu a direção com Nelson Pereira dos Santos. É profunda conhecedora do material de arquivo de Tom Jobim, seu avô, fez um levantamento extenso dos arquivos, e seu ouvido musical foi importante instrumento na hora da montagem. Sua experiência, aliada ao rico acervo fotográfico e de magens da viúva de Tom, Ana Jobim, contribuiu de forma decisiva na elaboração do filme. A roteirista Miúcha Buarque de Holanda levou para o filme a visão artística e, ao mesmo tempo, pessoal do compositor. Ela foi grande amiga de Tom Jobim, que conheceu quando os dois freqüentavam o ipanemense bar Veloso, popular entre artistas na década de 70, e onde foi composta a famosa Garota de Ipanema, com Vinícius de Moraes. A canção ornou-se conhecida no mundo inteiro e imortalizou o bairro por onde passava a célebre Garota. Miúcha, que participou do disco Best of two worlds, com João Gilberto – com quem foi casada – e Stan Getz, teve convívio musical intenso com Tom Jobim, organizou a pesquisa e desenvolveu a base da história de Tom: sua personalidade, seu humor, sua sagacidade, seu talento, a sofisticação da sua música.

Tom Jobim e Vinicius de Moraes – Piano no Catetinho

A direção musical de Paulo Jobim, músico e filho de Tom, foi imprescindível. Paulo foi o ouvido musical do filme e cuidou da qualidade do áudio de cada arquivo. Depois de um grande levantamento documental de fotos, imagens e documentos, foi feita a seleção de imagens, entre dezenas de arquivos. A edição de Luelane Correa, junto com os diretores, construiu a trajetória musical de Tom com uma montagem que usou fotos e imagens de forma cronológica, acompanhando o compositor desde  suas primeiras fases até seu amadurecimento.

O filme estreia nesta sexta-feira, 20/01/2012.

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Sobre Fernanda Alyssa

Designer, Pós-Graduada em Pós-produçao em Cinema. Curiosa, Cinéfila e Crítica, não necessariamente nessa ordem...

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