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Alice – Posters

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Assisti ao trailer 3D e aguard ansiosamente pela estreia de Alice do Tim Burton!

Além de adorar Alice, adoro o Tim e sua estética mais ainda!
Alguns Posters do Filme:





Link para o site oficial : Alice

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Alice no País das Maravilhas

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Alice precisava comer algo. Afinal ela tinha de crescer. Ao procurar na relva ao seu redor, a única coisa comestível que avistou foi um grande cogumelo da sua altura. Antes de devorá-lo, no entanto, ela encontrou sentada no topo dele uma grande lagarta azul que fumava tranquilamente seu cachimbo de narguilé. Quando os olhos das duas criaturas se encontraram, a lagarta quase que displicentemente perguntou a Alice quem era ela. Aí é que estava o problema, a garota já não tinha mais certeza sobre quem ela realmente era.
O universo fantástico narrado acima não pertence a alguma obra psicodélica para adultos escrita nos anos 60. Ele faz parte de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, um dos mais importantes clássicos da literatura infantil e foi escrita na segunda metade do século 19 por Lewis Carroll, pseudônimo do matemático e escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson. O que na época foi visto como uma história para crianças, espécie de conto de fadas da era moderna, ganhou com o passar do tempo sofisticadas interpretações, que incluem análises sociológicas e psicanalíticas.
Reprodução
Versão em animação produzida por Walt Disney em 1951
Para muitos, “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho”, uma espécie de sequência publicada seis anos depois, são metáforas de uma contundente crítica à moralidade rígida, ao puritanismo e aos valores da “era vitoriana” na Inglaterra (época do reinado da Rainha Vitória entre 1837 e 1901, que se caracterizou pela prosperidade e pela rigidez moral). Para outros, os livros trazem narrativas simbólicas que revelam de “fantasias canibalísticas” a representações do arquétipo feminino. É possível afirmar que as duas obras são tudo isso e muito mais. Numa época em que predominava o realismo literário, o cientificismo e a visão de que a arte deveria ter funções educadoras e moralizadoras, a literatura fantástica e nonsense de Carroll rompia com todos os paradigmas.
Lógica e nonsense
Confira um trecho de “Alice no Pais das Maravilhas” em que a garota trava um diálogo com o Gato de Cheshire, um dos mais famosos personagens da narrativa:
“Gatinho de Cheshire”, começou, muito timidamente, por não saber se ele gostaria desse tratamento: ele, porém, apenas alargou um pouco mais o sorriso. “Ótimo, até aqui está contente”, pensou Alice. E prosseguiu: “Você poderia, por favor, me dizer qual é o caminho para sair daqui?”
“Depende muito de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“Não me importa muito onde…”, foi dizendo Alice.
“Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá”, disse o Gato.
“… desde que eu chegue a algum lugar”, acrescentou Alice, explicando.
“Oh, esteja certo de que isso ocorrerá”, falou o Gato, “desde que você caminhe o bastante”.
A sociedade vitoriana era regida pela ideia de culpa e punição e pelo racionalismo científico. “As Aventuras de Alice no Pais das Maravilhas” explora múltiplos sentidos na direção oposta. A protagonista Alice, uma garotinha entediada com o mundo ao seu redor, sai em busca de prazer e diversão numa terra fantástica onde a punição inexiste – já que nem mesmo as ordens da Rainha do País das Maravilhas de cortar a cabeça dos desafetos são levadas a sério. Aliás, é imediata a associação entre a monarquia britânica e os personagens das Rainhas retratadas nos livros por Carroll, que são figuras simbólicas importantes mas ridicularizadas por não terem poder de fato. Na narrativa, a superação dos obstáculo que se apresentam para Alice em sua aventura não vem do uso da razão ou de experimentações científicas, mas sim de acontecimentos mágicos.
As duas obras centrais de Carroll – “Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho” – não foram apenas críticas à sociedade vitoriana. Suas qualidades literárias as fizeram extrapolar sua época. Suas narrativas nonsense sobre temas como a insatisfação com o mundo, a busca da identidade, a rebeldia e o questionamento dos padrões sociais são tão ricas em significados que têm alimentado diferentes interpretações há várias gerações. Nascidas como supostos textos infantis, elas passaram a ser reconhecidas como clássicos da literatura universal para todas as idades.
Alice em três dimensões

Alice no país das maravilhas
Divulgação / disney.go.com
Cena do filme “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton

Tim Burton (“Batman”, “Ed Wood”, “A Noiva Cadáver”) dirige uma adaptação para o cinema em 3-D que reúne as obras “Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho”. Nos papéis principais estão Johnny Depp (“Piratas do Caribe”, “Inimigos Públicos”) como Chapeleiro Louco, Helena Bonham Carter (“Sweeney Todd”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) como Rainha Vermelha e Anne Hathaway (“O Diabo Veste Prada”) como Rainha Branca. O papel de Alice ficou com Mia Wasikowska.
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